Cachaça Poesia

Um Pouco de Poesia!

 

por Bruno Guerra.

Uma dose de Poesia

Presente no mercado de bebidas desde 2007, a Cachaça Poesia é fabricada com todo o cuidado que manda a tradição artesanal mineira, aliado às boas práticas da sustentabilidade. Do alambique instalado na fazenda Santa Fé de Bogotá, em Munhoz, extremo sul de Minas Gerais e no topo da Serra da Mantiqueira, sai uma cachaça nova (não envelhecida), límpida, com aroma de cana recém-cortada, e sabor leve e inconfundível de aguardente feita com carinho e dedicação de um alambiqueiro.

Todos esses atributos já levaram a Cachaça Poesia a conquistar a admiração de muitos apreciadores desse tipo de destilado, em todo o Brasil. A bebida recebeu a medalha de prata da categoria de cachaças na edição 2008 do CMB Brasil, versão nacional do renomado Concours Mondial de Bruxelles, e em 2009 foi consagrada a Melhor Cachaça do Brasil ao ser agraciada com a mais alta premiação deste que é o concurso mais respeitado do país e do mundo. Poesia recebeu a medalha GRAN OURO no CMB 2009!

 

Diploma CMB09

 

Concebida em 2003 pelo empresário Anselmo Bueno (e administrada por ele em conjunto com seus irmãos Ricardo, Roberto e Eliana), a Cachaça Poesia atualmente tem produção anual de aproximadamente 10.000 litros (volume registrado em 2009). Todas as etapas de sua fabricação são acompanhadas de perto pelo seu criador, e constituem um verdadeiro exemplo de controle de qualidade apurado e aproveitamento consciente dos recursos naturais e da geografia da região, que fica a 1.500 metros de altitude.

A partir da extração do caldo da cana – plantada e cortada ali mesmo, sem uso de queima – até o produto final, a Cachaça Poesia não tem contato nenhum com o ambiente externo, o que contribui ainda mais para sua pureza. Cada etapa do processo produtivo é abrigada em uma edificação separada das demais, o que assegura a máxima assepsia da operação.

Para passar pelos diversos prédios, a bebida caminha por tubulações de aço inoxidável - onde não ocorrem reações químicas - usando apenas a força da gravidade, proporcionada pelo terreno inclinado, dispensando, assim, o uso de bombas que poderiam acumular resíduos. A gravidade também é a ferramenta para a obtenção de toda a água utilizada na alambicada, oriunda de uma mina protegida pela mata atlântica que recobre boa parte da área da fazenda.

Na destilação, ponto decisivo da produção de uma aguardente de qualidade, a Cachaça Poesia conta com uma caldeira, que controla com precisão a temperatura do vapor no alambique de cobre martelado, para separar com perfeição o “coração” da cachaça, livre de substâncias tóxicas e perigosas ao corpo humano – que também são responsáveis pela temida ressaca. Essa separação, tão importante na produção artesanal, não acontece nas cachaças industriais que são destiladas em processos contínuos nas torres de destilação de álcool combustível.

Ponto de destaque na produção da Cachaça Poesia, o reaproveitamento dos materiais orgânicos inerentes está presente de diversas formas, totalmente alinhadas com as exigências do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e

Abastecimento) e com as boas práticas ambientais. O bagaço da cana vira adubo para a plantação, assim como o vinhoto separado do álcool na destilação. As porções da cachaça não utilizadas para consumo (“cabeça” e “cauda”) são utilizadas como parte do combustível que alimenta o motor da moenda. De uma ponta a outra, nada se perde.

Para coroar todo o processo de fabricação, a Cachaça Poesia descansa brevemente e é padronizada em um enorme tonel de jequitibá – madeira neutra, que não impregna seu aroma e sabor na bebida. Por fim, a cachaça é engarrafada em um recipiente modelo paraíba, bojudo e transparente, com capacidade para 700ml. O rótulo, cheio de personalidade, simula um livro antigo, aberto, com uma fita de cetim fazendo as vezes de marcador de página.

 

Cada trago de Poesia é como um verso que se desmancha na boca,

ilumina a vida e envolve a alma!

Sabor de história, família e amizade

Poeta e Poesia

A Cachaça Poesia carrega em seu conceito todos os aromas e sabores de uma grande história, repleta de significados familiares e de amizade. Seu surgimento remonta à trajetória do avô de Anselmo Bueno, José Marangoni, brasileiro descendente de italianos definido pelo neto como um “desbravador”, que viajava pelo Brasil montando usinas hidrelétricas, levando eletricidade a muitas cidades do país.

 

Na década de 60, convencido por um grande amigo, José Marangoni adquiriu terras na região de Munhoz-MG, uma das cidades para a qual levou a energia elétrica e na qual foi admirado e respeitado durante décadas. A propriedade ficou em poder de sua família (que mora em Mogi Mirim, interior de São Paulo) até meados da década de 80, quando foi vendida após sua morte. Já em 2002, Ricardo Bueno, irmão de Anselmo, resolveu adquirir uma área de 50 alqueires nas proximidades da antiga propriedade da família. O espaço viria a abrigar a produção da Cachaça Poesia.

O próprio nome da cachaça e seu slogan “Tem que ter Poesia” estão embebidos em uma homenagem à amizade. O bordão transformado em marca veio de um grande amigo da família Bueno, já falecido, que adorava conversar, provar bebidas de qualidade, fazer amigos por onde passava, enfim, aproveitar a vida. Certa vez, ao ser apressado por companheiros em uma viagem a Munhoz, categórico ele disparou: “Calma... Tem que ter poesia... Deixa de pressa!”. O conselho foi tomado como lição de vida pelos irmãos Anselmo e Ricardo, e quando os dois decidiram criar sua própria cachaça, não houve dúvidas sobre o nome que ela receberia.

 

 

No mundo inteiro a cachaça artesanal mineira está ganhando cada vez mais adeptos, entre eles renomados degustadores que se entregam ao refinado aroma e ao sabor único desta bebida cem por cento brasileira.

 

 

Poeta

 

Sobre a mais brasileira bebida!

 

ORIGEM DO NOME
Etimologia da Palavra Cachaça

A origem do nome cachaça, provavelmente, deve ser espanhola. Mas a palavra nunca pegou na Península Ibérica. Ela foi escrita algumas vezes como sinônimo da milenar bagaceira, feita das borras da uva, mas nunca na nossa acepção e com a nossa sede. O termo cachaça chega até nós pelos portugueses, junto com os alambiques, as primeiras destilações. A primeira referência literária, livresca, que Câmara Cascudo (1991) encontrou (portanto, de que se tem notícia), está na Carta-II de Sá de Miranda (1481-1558) ao seu "amigo e comensal, Antônio Pereira, o Marramaque, senhor de Basto", quando o primeiro provou da cachaça na Quinta da Tapada, em Celorico de Basto, no Minho, de propriedade do segundo. Cantavam os versos:

 

Ali não mordia a graça
Eram iguais os juízes;
Não vinha nada da praça,
Ali, da vossa cachaça!
Ali, das vossas perdizes!

 

Certamente, não era a aguardente da cana-de-açúcar, mas a bagaceira. Porém, Nicolau Lanckman, em 1451, viu a cana-de-açúcar "ao redor de Coimbra". Depois, em 1525, Gil Vicente registrou "vales para açafrão e canas açucaradas" em sítios da Beira. Na verdade, na Península, não se empregava o termo cachaça, visto como uma palavra quase vulgar e rara para designar a bagaceira. Segundo Câmara Cascudo (1991): "A bebida nasceu aqui, é brasileira, com matéria-prima e braços nacionais, ainda que com alambiques lusos" (p. 3). A palavra somente se generalizou aqui. Cachaça originária "do mel de açúcar sacarino", obtida do caldo ou melaço, borras ou escumas da cana-de-açúcar, é bebida gerada no Brasil. O primeiro registro escrito, culto, da palavra cachaça deve-se ao naturalista alemão Jorge Maregrave, quando descreve a fabricação do açúcar em Pernambuco, sob o império do Conde Nassau: a primeira caldeira é chamada pelos portugueses "caldeira de mear descumos", na qual o caldo é sujeito à ação de um fogo lento, sempre movido e purgado por uma grande colher de cobre chamada "escumadeira", até que fique bem escumado e purificado. A escuma é recebida numa canoa, posta em baixo, chamada "tanque", e assim também a cachaça, a qual serve de bebida para os burros.

 


Linguagem da Cachaça

Antes do termo cachaça firmar-se, no Brasil, definitivamente como a aguardente derivada da fermentação e destilação do caldo ou do melaço da cana-de-açúcar, convém registrar um nome que prevalesceu pelos séculos XVI e XVII. Era também muito popular jeribita e suas variações: jiribita, jurubita, geribita, giribita, geriba, piripita. Ainda hoje, em alguns locais do Brasil, fala-se uma dessas formas. Os dicionários da época registram todas elas como sinônimo de cachaça e de aguardente.
Porém, Câmara Cascudo (1991) alerta que muitas vezes a fala popular e os documentos literários e estatais (legais e de fisco) indicam que são líquidos diferentes. Ao mesmo tempo, documentos comerciais gravam eufemismos como aguardente da terra, vinho da terra e vinho de mel que, na verdade, são cachaça, para diferenciar de geribita de fora, aguardente (solitariamente para designar bagaceira), agardente do reino ou ainda bagaceira. A caxaxa azeda ou garapa azeda, registrada no final do século XVII, é o caldo fermentado, sem destilação, que também, em excesso, embriaga. É como a garapa doida, que encontramos no início deste século no Acre, onde não havia alambiques, somente engenhocas para moer a cana. O nome pinga só veio depois, no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, segundo Câmara Cascudo (1991), no final do século XIX. Era a destilação, depois da fervura e evaporação do caldo fermentado, que "pingava" na bica do alambique.


Monografia apresentada por Ana Aparecida Soares e Carolina Ferreira de Souza
“Do Engenho à Palavra: uma breve etnografia da cachaça”
Curso de Especialização em Arte Educação
UEMG – Universidade do Estado de Minas Gerais – maio de 2004

 

 

A história da Cachaça

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cacha%C3%A7a#Produ.C3.A7.C3.A3o_da_cacha.C3.A7a

Os primeiros relatos sobre a fermentação vem dos egípcios antigos. Curam várias moléstias, inalando vapor de líquidos dentro do copoaromatizados e fermentados, absorvido diretamente do bico de uma chaleira, num ambiente fechado. Os gregos registram o processo de obtenção da acqua ardens. A água que pega fogo - água ardente (al kuhu). Alquimistas tomam conhecimento da água ardente, atribuindo-lhe propriedades místico-medicinais. Transforma-se em água da vida, e a eau de vie é receitada como elixir da longevidade.

A aguardente então vai da Europa para o Oriente Médio, pela força da expansão do Império Romano. São os árabes que descobrem os equipamentos para a destilação, semelhantes aos que conhecemos hoje. Eles não usam a palavra al kuhu e sim al raga, originando o nome da mais popular aguardente da península arábica: arak, uma aguardente misturada com licores de anis e degustada com água. A tecnologia de produção espalha-se pelo velho e novo mundo. Na Itália, o destilado de uva fica conhecido como grappa. Em terras Germânicas, se destila a partir da cereja o Kirsch; na antiga tchecoslováquia, atualmente dividida em República Tcheca e República Eslovaca, a destilação da Sleva (espécie de ameixa) gera a slevovice (lê-se eslevovitse). Na Escócia se populariza o whisky, destilado da cevada sacarificada. No Extremo Oriente, a aguardente serve para esquentar o frio das populações que não fabricam vinho. Na Rússia a vodca, de centeio. Na China e no Japão, o saquê, produzido a partir da fermentação do arroz é frequentemente confundido com uma aguardente devido ao seu elevado teor alcoólico, mas é na verdade um vinho. Portugal também absorve a tecnologia dos árabes e destila, a partir do bagaço de uva, a bagaceira.

Já em 1530 os primeiros donatários portugueses decidem começar empreendimentos nas terras orientais do Novo Mundo, implementando o engenho de açúcar com conhecimento e tecnologia adquiridos nas Índias Orientais, vindas do sul da Ásia. Assim surgem na nova colônia portuguesa os primeiros núcleos de povoamento e agricultura.

A geração inicial de colonizadores apreciava a bagaceira portuguesa e o vinho do porto. Assim como a alimentação, toda bebida era importada da metrópole. Num engenho da capitania de São Vicente, entre 1532 e 1548, descobrem o vinho de cana-de-açúcar - garapa azeda, que fica ao relento em cochos de madeiras para os animais, vinda dos tachos de rapadura. É uma bebida limpa, em comparação com o cauim - vinho produzido pelos índios, no qual todos cospem num enorme caldeirão de barro para ajudar na fermentação do milho. Os senhores de engenho passam a servir o tal caldo, denominado cagaça, para os escravos. Daí é um pulo para destilar a cagaça, nascendo assim a cachaça. Antonil procura distinguir "aguardente" de "cachaça", mas se considera que essa diferença não existe na prática. Em 1584 o Memorial de Gabriel Soares de Sousa faz referências a "oito casas de cozer méis" na Bahia.

Dos meados do século XVI até metade do século XVII as "casas de cozer méis" se multiplicam nos engenhos. A cachaça torna-se moeda corrente para compra de escravos na África. Alguns engenhos passam a dividir a atenção entre o açúcar e a cachaça. A descoberta de ouro nas Minas Gerais, traz uma grande população, vinda de todos os cantos do país, que constrói cidades sobre as montanhas frias da Serra do Espinhaço. A cachaça ameniza a temperatura.

Incomodada com a queda do comércio da bagaceira e do vinho portugueses na colônia e alegando que a bebida brasileira prejudica a retirada do ouro das minas, a Corte proíbe a partir de 1635 várias vezes a produção, comercialização e até o consumo da cachaça. Sem resultados, a Metrópole portuguesa resolve taxar o destilado. Em 1756 a aguardente de cana-de-açúcar foi um dos gêneros que mais contribuíram com impostos voltados para a reconstrução de Lisboa, destruída no grande terremoto de 1755. Para a cachaça são criados vários impostos conhecidos como subsídios, como o literário, para manter as faculdades da Corte.

Com o passar dos tempos melhoram-se as técnicas de produção. A cachaça é apreciada por todos. É consumida em banquetes palacianos e misturada ao gengibre e outros ingredientes, nas festas religiosas portuguesas - o famoso quentão.

Devido ao seu baixo valor e associação às classes mais baixas (primeiro os escravos e depois os pobres e miseráveis), a cachaça sempre deteve uma áurea marginal. Contudo, nas últimas décadas, seu reconhecimento internacional tem contribuído para diluir o índice de rejeição dos próprios brasileiros, alçando um status de bebida chique e requintada, merecedora dos mais exigentes paladares. Atualmente várias marcas de boa qualidade figuram no comércio nacional e internacional e estão presentes nos melhores restaurantes e adegas residenciais pelo Brasil e pelo mundo.

 

 

 

A cachaça em Minas

Os gregos registram o processo de obtenção da ácqua ardens. A água que pega fogo – água ardente – aparece nos registros do Tratado da Ciência escrito por Plínio, o velho, que viveu entre os anos 23 e 79 d. C. A água ardente vai para as mãos dos alquimistas que lhe atribuem propriedades místico-medicinais. Transforma-se em água da vida. São os árabes que descobrem os equipamentos para a destilação, semelhantes ao que conhecemos hoje.
Na Itália, o destilado de uva fica conhecido como Grappa. Em terras germânicas, destila-se a partir da cereja, o Kirsch. Na Escócia, fica popular o Whisky, destilado da cevada sacrificada. No Extremo Oriente, a aguardente serve para esquentar o frio das populações que não fabricam o Vinho de Uva. Na Rússia, a Vodka, de centeio. Na China e Japão, o Sakê, de arroz.

Minas Gerais produz cerca de 200 milhões de litros por safra, o que representa cerca de 50% da produção de cachaça deGarrafa alambique. São 8.500 alambiques, mas apenas 500 são registrados no Ministério da Agriculura. No Brasil contam-se 30.000 alambiques.

De acordo com Cristiano Lamego, Superintendente Executivo do Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral do Estado de Minas Gerais – SINDBEBIDAS, “o mercado interno tem se mostrado estável ao longo dos anos. Não existe evolução de produção e de consumo em relação a volume de produção. O fato mais relevante é ampliação do mercado consumidor. Cada vez mais a cachaça se torna uma bebida nobre com aceitação cada vez maior do público classe A. Outro fato relevante é a aceitação cada vez maior da cachaça pelo público feminino”.

Quanto ao mercado externo, de acordo com Cristiano Lamego, será necessário um esforço de marketing para fazer com que reconheçam a diferença entre uma cachaça de alambique de uma cachaça de coluna ou industrial, já que lá fora a cachaça é vista somente como base para a caipirinha.

A grande dificuldade dos fabricantes continua sendo a questão tributária. “Altos impostos fazendo com que os produtores continuem informais, trazendo graves problemas sociais para os mesmos. As cachaças de alambique de Minas tiveram seus valores de IPI reajustados em até 700%. Para exemplificar, o IPI de uma garrafa de alambique chega a R$ 2,23, enquanto uma cachaça de coluna ou industrial recolhe em média 0,38 por garrafa. É uma diferença brutal que vem impactando diretamente na alta informalidade do setor. Além disto, os produtores de cachaça de alambique foram recentemente impedidos de se enquadrarem ao SIMPLES. (Programa Federal de Impostos),agravando ainda mais a situação”. Explica Cristiano.

Monografia de Ana Aparecida Soares e Carolina Ferreira de Souza:“DO ENGENHO À PALAVRA: uma breve etnografia da cachaça”.

 

 

Produção da cachaça

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cacha%C3%A7a#Produ.C3.A7.C3.A3o_da_cacha.C3.A7a

A cachaça pertence à nobre família das aguardentes, da eau-de-vie ou aquavit. Trata-se de um destilado feito à base de cana-de-açúcar, leveduras e água.

O processo de produção inicia-se com a escolha da variedade adequada da cana de açúcar e plantio da mesma. Conforme a região, existem variedades que melhor se adaptam às condições geoclimáticas, além do cuidado em se fazer um plantio com variedade de cana com maturação precoce, média e tardia, visando a colher esta matéria-prima sempre no ponto adequado, nos diferentes meses de produção. Quanto à colheita da cana de açúcar, não é indicada a queima do palhiço, pois, além das conseqüências ambientais, a queima prévia da cana resulta no aumento do composto furfural e hidroximetilfurfural na bebida final; ambos são compostos carcinogênicos e sua soma não pode ultrapassar 5 mg/100 mL AA.

Durante o processo de moagem da cana, é importante a análise da eficiência do extração do caldo, que deve ser próxima a 92% em moendas de três eixos. Ainda durante o processo de moagem, é importante o uso de um filtro para recolher os bagacilhos presentes no caldo, já que estes, quando chegam até o processo de fermentação, resultam no aumento do teor de metanol. É importante também a correção do Brix, ou teor de açúcar no caldo, para valores entre 16 e 18° Brix, visando a uma maior eficiência do processo fermentativo.

Engenho-bangüê em funcionamento, década de 1950.
Engenho Espadas, Pernambuco, Brasil

O processo de fermentação é sem dúvida o mais importante para a qualidade do produto final. A fermentação ocorre por ação de leveduras, principalmente a Saccharomyces cerevisae, levedura que apresenta a melhor resistência a altos teores alcoólicos. Ao caldo de cana fermentado dá-se o nome de mosto.

É neste processo que ocorre a transformação da glicose em etanol e outros compostos secundários, como butanol, isobutanol, acetado de etila,(Benéficos ao sabor) e ácido acético, propanol, acetaldeído, etc (Maláficos ao sabor da bebida). O controle apurado desta etapa, como monitoração de temperatura (Entre 28 e 33°C), pH (entre 4.5 e 5.5), contagem de leveduras, tempo de fermentação e formação de excessiva de bolhas é fundamental para a eficiência do processo. O processo de fermentação dura em torno de 24 horas, sendo o teor de sólidos solúveis o indicativo do final do processo. É imprescindível a assepsia deste processo, já que a contaminação bacteriana pode resultar em compostos indesejáveis no produto final.

Em seguida é realizado o processo de destilação, quando o Brix está igual a zero. Se existirem ainda açúcares presentes no mosto, a oxidação destes compostos durante a destilação resultará também na formação de furfural e hidroximetilfurfural. O processo de destilação pode ser realizado em alambiques de cobre ou inox (Produção artesanal) ou em Colunas de destilação (Produção industrial), sendo que no primeiro ocorre uma melhor separação dos compostos, produzindo uma cachaça com menos compostos secundários quando comparada com a cachaça industrial. Durante a destilação, são coletadas três frações: Cabeça (15% do volume destilado), Coração (60% do volume destilado) e Cauda (15% do volume destilado). A composição de cada fração está correlacionada com a temperatura de ebulição dos compostos presentes no mosto. A fração Cabeça é rica em metanol e ácidos, e não deve ser comercializada nem utilizada para consumo. Na fração coração são coletados os principais compostos e mais desejáveis na alguardente. Já na fração cauda, também chamada de óleo fúsel ou caxixi, são encontrados os compostos com altas temperaturas de ebulição.

A cachaça obtida da fração coração pode ser comercializada depois do período de maturação (Três meses) ou ser envelhecida em tonéis de madeiras, por um período mínimo de um ano.

 

Engenho

 

Higiene dos equipamentos e instalações

A higiene na fábrica de cachaça é fator preponderante para a qualidade do produto. As seções de moagem, fermentação e destilação devem ser lavadas diariamente com água potável.

Nas moendas e tubulações, a lavagem deve ser realizada de maneira a eliminar todo o açúcar nelas existente, para se evitar o desenvolvimento de microorganismos indesejáveis, que podem contaminar a fermentação.

Na área de fermentação, as dornas e as instalações devem estar permanentemente limpas. Para que essa condição seja possível, o piso deve ser impermeável e com inclinação para escoamento da água. As paredes devem ser pintadas com tinta lavável.

No final da safra, quando as dornas são esvaziadas, deve-se fazer uma boa lavagem com escova, para que sejam retiradas todas as suas incrustações.
No período de entressafra, recomenda-se a caiação interna das dornas, visando protege-las da oxidação.

As instalações devem ser limpas a cada entressafra e, em paredes apenas caiadas, nova caiação deve ser realizada. Para se evitar a presença de fungos nas paredes, adiciona-se sulfato de cobre à cal.

O descuido na higienização dos alambiques de cobre manifesta-se rapidamente pelo aparecimento de uma coloração escura, associada ao azinhavre, A limpeza artesanal é feita usando limão-capeta e sal ou vinhoto, com posterior enxágüe.

A cada parada, o alambique deve ser lavado. Recomenda-se ainda encher sua panela e serpentina com água, para se evitar a oixidação do cobre e a contaminação da cachaça pelo metal.

Livro: Fabricação Artesanal da Cachaça Mineira - José Carlos G. M. Ribeiro

 

 

 

Madeiras Brasileiras

Amburana (Cumaru-do-Ceará)
Árvore regular, da família das leguminosas (Torresea cearensis), de casca grossa, suberosa, gordurosa e aromática, tida por medicinal, flores alvas ou amarelo-pálidas, pequenas e aromáticas, e cujo fruto é vagem achatada e escura, contendo uma semente alada e rugosa. Baixa a acidez e diminui o teor alcoólico da Cachaça, que fica mais suave. Cumbaru-dascaatingas, cumaré, amburana, imburana-de-cheiro; umburana.

Angelim-araroba
Árvore da família das leguminosas, subfamília papilionácea (Vataireopsis araroba), de flores róseas e madeira útil, e cuja casca, triturada, se usa contra doenças da pele. Ocorre da Bahia até o Rio de Janeiro e Minas Gerais. Angelim-Coco (Andira legales). Pau-pintado, angelim-doce, urarama; Angelim-do-pará. Angelim-pedra. Angelim-rosa. Angelim-rajado. Angelimpinima. Angelim-de-espinho. Angelim-de-folha-larga (acapu).

Bálsamo (do latim balsamu)
Cabriúva-do-campo. Do tupi kabureiwa, árvore do caburé. Árvore da família das leguminosas (Myrocarpus frondosus), da floresta atlântica, de folhas com cinco a nove folíolos oblongos, aluminados e muito finos, flores verdes-amareladas, actinomorfas, dispostas em racemos, e cujos frutos são sâmaras elípticas e monospermas. A madeira, pardo-escuro com tons avermelhados, aromática, pesada e resistente, é utilizada em construções em geral, móveis e canoas. Cabriúva, cabriuva-parda, cabrué, cabureíba. Óleo-cabureíba, óleo-pardo, pau-bálsamo. Certa bebida feita com açúcar, gengibre e aguardente. Fritada de ovos preparada com aguardente. Resulta em tom amarelinho e em uma Cachaça de gosto forte.

Cerejeira
Designação comum a diversas árvores e arbustos da família das rosáceas, gênero Prunus. Particularmente as espécies Prunus avium e Prunus cerasus, a primeira das quais é uma árvore de casca lisa e cinzenta, flores alvas, frutos pequenos, doces e polposos, vermelhos ou quase pretos, e madeira branco-avermelhada, dura e pesada, usada em marcenaria de luxo, instrumentos musicais, objetos de arte, etc.Cereja-galega, cereja-dos-passarinhos, cerejeira-da-europa; e a segunda um arbusto que atinge 8 (oito) metros de altura, cuja casca e flores têm as mesmas características das da espécie anterior, apresentando o fruto e a madeira, porém, diferença na cor, respectivamente amarelada e avermelhada.

Garapa
Árvore ornamental, da família das leguminosas (Apuleia praecox), de folhas imparipenadas, compostas de folíolos alternos, coriáceos de cor avermelhada, flores alvas ou esverdeadas, dispostas em cimeiras axilares, e cujo fruto é vagem ovóide, monosperma e indeiscente. Fornece madeira de lei de cerne amarelado e ondeado. Amarelinha, garapaamarela, garapiapunha ou grapiapunha. Ocorre da Bahia ao Rio Grande do Sul e Mato Grosso.

Jatobá(do Tupi Yata’wa’mi’ri, Jatobá Pequeno)
Árvore da família das leguminosas (Copaifera trichiofficinalis), de folhas penadas, flores minutas e ordenadas em cachos, e cujo fruto é um legume pequeno e monospermo. O tronco produz um óleo tido pelo povo como medicinal.

Jequitibá (do Tupi Yekiti’bá). Designação comum a duas árvores de tronco muito grosso e alto, da família das lecitidáceas (Cariniana estrillensis e C. legalis), também chamadas, respectivamente, Jequitibá- Vermelho e Jequitibá- Branco, de folhas coriáceas, oblongas e acuminadas, flores pequeninas, alvas e paniculadas, e cujos frutos são cápsulas que contém sementes aladas e se abrem por fenda circular, sendo a madeira, róseo-acastanhada ou bege-rosada, hoje muito usada em carpintaria. Ocorrem do nordeste ao sul do país. Madeira neutra capaz de descansar e envelhecer a aguardente sem alterar a cor, aroma ou sabor original do destilado.

Jequitibá Rosa
Elimina o leve gosto de bagaço de cana sem alterar a cor.

Freijó - Frei Jorge
Árvore grande, da família das boragináceas (Cordia goeldiana), de flores grandes, duráveis e muito bonitas, dispostas em amplas panículas terminais, desinfloras e ferrugíneotomentosas, fruto globoso, e cuja madeira, castanha com listras escuras, opacas e pulverulentas, é própria para construção naval e marcenaria de luxo. Quiri.

Ipê (Do Tupi I’pé, árvore cascuda)
Designação comum às árvores do gênero Tabebuia (antes, Tecoma), da família das bignoniáceas, de que há dois tipos: a de flor amarela e a de flor violácea. Muito ornamentais pela floração belíssima, são dotadas de lenho muitíssimo resistente à putrefação. O Ipê é considerado árvore nacional. Pau D’Arco e Peúva. Peroba-de-Campos. Ipê-Caboclo (Tabebuia insignis). Ipê-Mamono (Tabebuia Alba). Floresta Amazônica e Cerrado. Ipê-Preto = Pau D’Arco Roxo. Ipê-Rosa (Tabebuia heptaphylla). Estado do Rio. Ipê-Roxo. Ipê-Tabaco (Tabebuia chrysotricha). Floresta Amazônica.

Ipê Amarelo
Garante uma Cachaça que desce macio e um tom alaranjado.

Pereira (Acarirana)
Árvore da família das apocináceas (Geissospermum sericeum) de flores pequeninas, madeira sem préstimo, e cuja casca, amarga, tem uso medicamentoso contra febres; Pereira, Pau-Pereira, Pau-Forquilha, Quinarana.

Peroba (do Tupi Ipe’Rob, casca amargosa).
Designação comum a muitas árvores das famílias das apocináceas e das bignoniáceas que têm madeiras de boa qualidade, sobretudo a peroba-de-campos e a peroba-rosa. Peroba- Amarela. Peroba-Amargosa. Peroba-de-Campos (Paratecoma Peroba). Norte do Espírito Santo e centro da Bahia. Peroba-Rosa (Aspidosperma polyneuron).

Vinhático (do Latim Vineaticu, de vinha)
Designação comum a duas espécies do gênero Plathymenia, da família das leguminosas. Providas de excelentes madeiras amarelas: vinhático-da-mata e vinhático-do-campo. Aranhagato. Fornece cor amarelo-ouro e gosto próximo ao da Cachaça pura.

 

Mapa antigo

 

 

Madeiras Estrangeiras

Carvalho (de uma raiz pré-romana Carbou Caru, ramagem)
Designação comum a várias árvores ornamentais da família das fagáceas, gênero Quercus, de rápido crescimento, que preferem lugares frescos, ou margens de rios e lagoas, e fornecem madeira pardacenta, dura, usada na construção em geral. Madeira de qualquer dessas árvores. Carvalho Brasileiro - Da Bahia até Santa Catarina. Carne-de-vaca.

Fonte: www.ampaq.com.br

 

 

A bebida de um País que é um mundo inteiro

Elogiadas e apreciadas por intelectuais do mundo inteiro, que encontram nestas manifestações uma parte de suas próprias culturas condensadas na literatura, poesia, música, gastronomia, carnaval e religiões brasileiras. Em todas elas a cachaça ganha notoriedade.
Pode-se dizer que, todos que entram em contato com o Brasil, tornam-se um pouquinho brasileiros.

Degustar nossa cachaça é a melhor e mais saborosa forma de fazer este alegre contato. Tamanho sucesso popular se explica pela poderosa capacidade da bebida se combinar com os sentimentos de alegria e devoção, as melhores sínteses da alma brasileira.
O Brasil tem um jeito muito especial de fazer certas coisas. Como no futebol, por exemplo, que tem a magia de conduzir a bola com os pés de forma incomparável. A graça e a malícia de driblar o adversário como quem dança um samba e um chute preciso ao gol que se transforma em uma explosão de alegria.

A mesma alegria que toma conta das ruas durante o Carnaval. Nesta festa, que é a maior do mundo, o colorido indescritível da multidão fantasiada pode ser comparada a uma imensa e temporária tela do mais genial dos artistas.

Tudo isso é genuinamente brasileiro como sua bebida mais típica: a Cachaça. Destilada do puro caldo da cana-de-açúcar que lhe dá sabor e aroma únicos, a cachaça sintetiza esse jeito original e encantador que só é encontrado no Brasil.

Experimentá-la é uma maneira de conhecer a alma desse povo que já deu ao mundo a arte de seu futebol, a sensibilidade musical da bossa-nova, a beleza e a sensualidade do seu carnaval.

Fonte: Cachaças do Brasil

 

 

Sinonimos de Cachaça

abençoada; abrideira; acaba-festa; adorada; alpista; aninha; apreciada; arrebenta-peito; branca, branquinha, brasa; braseira; brasileira; bichinha-boa; acorda-o-velho; afamada; afiada;água-benta;água-bruta; água-de-briga; água-de-cana; aguada; água-forte;  água-que-passa rinho-não-bebe; água-que-gato-não-bebe; alertadeira; alma-de-gato; amansa-sogra; amansa-corno; amargosa; antibiótico; apetitosa; arranja-briga; a-que-matou-o-guarda; arranca-bofe; atitude; azarenta; bichinha; bicho- bom; bigorna; birinaite; birusca; bribada; branquinha; briosa; cabo; catutca; caideira; calafrio; calorenta; cambirimba; cambraia; canavieira; canforada; canilina; capilé; catuta; catinguenta; chamegada; chamarisco; cipoada; cheirosinha; carinhosa; carraspana;caxaramba; caxiri; caxirim; chibatada; choraminga; chorumela; cobreira; corta-bainha; cotréia; cumbe; cumulaia; criminosa; curandeira; da boa; danadinha; desperta paixão; distinta; depurativo; do poeta; douradinha; encantada; enrola-chifre; ensina-estrada; garapa; girgolina; goró; gororoba; jeribita; jurubita; lapada; limpa; lindinha; lisa; mandureba, mamãe-sacode;  marafo; maria-branca; mata-bicho; mata-o-velho; mel; merol; meu-consolo; não-sei-quê; papôco; papudinha; precipício; piadeira; pifão;pinga; pisca-pisca; poesia; pura; purinha; queimante; quero-mais; reiada; saideira; sacudidela; salve-ela; samaritana; sapeca; sedutora; seleta; sopapo; sossega-leão; sputinik; renitente; suadeira; sururu; tacada; talagada; tagarela; tiririca; tiúba;  tijolo-quente; tira-frio; tira-prosa; tira-reima; tiririca; tiúba; tentação; tenebrosa; treco; tremedeira; trombada; turbulenta;  uma...;  uma-da-boa; uma-daquelas;  valentona; veneno; venenosa; virgem-afamada; vexadinha; vuco-vuco; xaropada; xixi-de-anjo; zombeteira; zinabre, zuninga.

 

 

Revolta da Cachaça

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolta_da_Cacha%C3%A7a

Revolta da Cachaça é o nome pelo qual passou à História do Brasil o episódio ocorrido entre final de 1660 e começo do ano seguinte, no Rio de Janeiro, motivado pelo aumento de impostos excessivamente cobrados aos fabricantes de aguardente. Também é chamada de Revolta do Barbalho ou Bernarda.

 

Antecedentes

Em 1647 uma Carta Régia da metrópole, visando a proteção do monopólio português no comércio de vinho e aguardente (chamado de bagaceira), foi expedida e regulamentada em 1649, abrindo a exceção de seu consumo para os escravos e em Pernambuco - que se encontrava sob domínio holandês.

Com a expulsão definitiva dos holandeses, em 1654, aumenta a concorrência do açúcar brasileiro com o produzido nas Antilhas e diminuem os lucros. Para compensar a baixa rentabilidade, os senhores de engenho passam também a produzir aguardente de cana, obtendo grande lucro com seu tráfico para Angola.

Para coibir a ilegalidade, nova Ordem é expedida, em 1659, no sentido de se destruírem todos os alambiques da colônia, bem como aos navios que transportavam o produto.

Esse quadro, em que a produção de aguardente no Brasil Colônia era uma atividade ilícita, teve exceção no Rio de Janeiro, onde a situação foi tratada de forma diversa.

 

Rio de Janeiro

Governava o Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá e Benevides, no início de 1660. Visando o melhor aparelhamento das tropas coloniais, instituiu uma taxa sobre as posses dos habitantes. Como a economia açucareira estava em crise, os vereadores propuseram, em compensação, que fosse liberado o comércio da cachaça, que foi aceita por decreto a 31 de janeiro de 1660.

A medida contrariou os interesses da Companhia Geral do Comércio, que forçou sua revogação; apesar disso, persistiu o governador na cobrança das taxas e, tendo de viajar a São Paulo, deixou um tio encarregado de aplicar a cobrança, inclusive com uso da força.

 

Revolta

Embora na cidade do Rio de Janeiro não ocorressem incidentes, os produtores da região norte da Baía da Guanabara, então Freguesia de São Gonçalo do Amarante (atuais municípios de São Gonçalo e Niterói) rebelaram-se contra a taxa.

Durante seis meses houve reuniões na fazenda de Jerônimo Barbalho Menezes de Bezerra, na Ponta do Bravo (atual bairro do Gradim, em São Gonçalo).

Na madrugada de 8 de novembro de 1660, liderados pelo fazendeiro , os revoltosos atravessam a Baía, convocando o povo da cidade pelo toque de sinos, a reunir-se diante do prédio da Câmara. Totalizavam 112 senhores de engenho, 10 de São Gonçalo, que exigiam o fim da cobrança das taxas, bem como a devolução daquilo ja arrecadado. Tomé de Sousa Alvarenga, tio do governador, e em exercício durante sua ausência, mostrou-se fraco diante dos amotinados que, sob a promessa de pagamento dos soldos em atraso, haviam conseguido a deserção dos soldados. Refugiando-se no Mosteiro de São Bento, junto ao provedor-mor Pedro de Sousa Pereira, não esquivou-se Alvarenga de ser feito prisioneiro.

Durante a rebelião foram saqueadas as casas da família Correia e de Salvador de Sá. Alvarenga foi enviado para Portugal, junto a uma lista de acusações contra sua família, então poderosa. Na praça é aclamado Agostinho Barbalho novo governador, mas este se recusa e busca abrigo no Mosteiro de São Francisco, de onde é tirado à força e forçado a assumir o cargo.

Empossado, Agostinho buscou esfriar os ânimos, fez nomeações e procurou agradar a família Correia; suas atitudes conciliadoras agradaram a Salvador de Sá que, informado dos acontecimentos em São Paulo, reconheceu-lhe no cargo - apoio que gerou a insatisfação dos revoltosos, fazendo-o derrotado nas eleições para a Câmara, que havia convocado. Seu governo findou em 6 de fevereiro de 1661, quando a Câmara conduziu seu irmão, Jerônimo Barbalho, à governadoria. Este agiu autoritariamente, perseguindo aos jesuítas, aliados de Salvador de Sá, e também aos militares. Isso fez-lhe surgir poderosa oposição.

Instado pelos padres da Companhia de Jesus, Salvador de Sá organizou uma tropa de paulistas (na maioria índios e mestiços), e o apoio de dois navios que lhe foram da Bahia para o litoral fluminense, chegando em abril.

 

Repressão e fim da Revolta

O Rio de Janeiro foi atacado de surpresa, na madrugada de 6 de abril. As tropas baianas vieram pela praia, enquanto Salvador de Sá invadia com os seus pelo interior. Apanhados de surpresa, os revoltosos não opuseram resistência.

Aprisionados os líderes, foi montada uma corte marcial que condenou os rebeldes Diogo Lobo Pereira, Jorge Ferreira de Bulhão e Lucas da Silva à prisão, sendo enviados à metrópole para o devido julgamento. Jerônimo Barbalho, único condenado à morte, foi decapitado e sua cabeça afixada no pelourinho - castigo justificado por Salvador de Sá, em carta ao Rei D. Afonso VI, como lapidar à população para que não cometesse atos semelhantes.

O Conselho Ultramarino, porém, deu razão aos rebelados. Salvador de Sá foi afastado de suas funções. e teve de responder em Portugal por seus excessos. A família Sá, descendente do ex-governador-geral Mem de Sá e do fundador da cidade do Rio de Janeiro, Estácio de Sá, perdeu prestígio e a grande influência que até então conseguira manter. Os rebeldes condenados foram libertados.

 

Conseqüências

Ainda em 1661 a regente Luísa de Gusmão liberou a produção da cachaça no Brasil. A medida incrementou o tráfico com Angola e a economia fluminense. O comércio local, entretanto, continuava vedado, mas a repressão era nula, contando até com a participação das autoridades: João da Silva e Sousa, que governou o Rio de 1670 a 75, era o principal contrabandista.

A proibição foi revogada, finalmente, em 1695. A cachaça, que motivou e deu nome à revolta - à época também chamada de "aguardente da terra" e jeritiba - teve sua produçao elevada, em uma década, a 689 pipas (barril de 450 litros) ao ano (ou cerca de 310 mil litros).

 

Bibliografia

  • O Trato dos Viventes – Formação do Brasil no Atlântico Sul. Luis Felipe de Alencastro, Companhia das Letras, 2000.
  • Salvador de Sá e a luta pelo Brasil e Angola 1602-1686. Charles Ralph Boxer, Companhia Editora Nacional, 1973
  • Entre a Sombra e o Sol - A Revolta da Cachaça e a Crise Política Fluminense (dissertação). Universidade Federal Fluminense, 2000. Antonio Filipe Pereira Caetano.
  • A Revolta da Cachaça. Reportagem de Ernani Fagundes em fevereiro de 2007, revista Aventuras na História (editora Abril).
  • O Município de São Gonçalo e sua História. Maria Nelma Carvalho Braga, particular, 2006.

 


Conflitos na História do Brasil
- Período Colonial -
Movimentos Nativistas
Aclamação de Amador Bueno: 1641
Revolta da Cachaça: 1660-1661
Conjuração de "Nosso Pai": 1666
Revolta de Beckman: 1684
Guerra dos Emboabas: 1708-1709
Revolta do Sal: 1710
Guerra dos Mascates: 1710-1711
Motins do Maneta: 1711
Revolta de Felipe dos Santos: 1720
Movimentos Emancipacionistas
Conjuração Mineira: 1789
Conjuração Carioca: 1794
Conjuração Baiana: 1798
Conspiração dos Suaçunas: 1801
Revolução Pernambucana: 1817
Guerras indígenas
Confederação dos Tamoios: 1555-1567
Guerra dos Aimorés: 1555-1673
Guerra dos Potiguares: 1586-1599
Levante dos Tupinambás: 1617-1621
Confederação dos Cariris: 1686-1692
Revolta de Mandu Ladino : 1712-1719
Guerra dos Manaus: 1723-1728
Resistência Guaicuru: 1725-1744
Guerrilha dos Muras: todo o século XVIII
Guerra Guaranítica: 1753-1756

 


 

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